terça-feira, 8 de junho de 2010

O Silêncio poético !!







O desfrute da imagem poética faz reviver as intensidades ocultas do desânimo e apatia humana.
Um sentido mesmo de recriar um acesso devir novo de criações impregnadas de sentido.

novos matizes vão surgindo,nova vida ressignificando,um sorriso infantil face ao perigo da vida,recolorir do íntimo banho desnudo da chuva,banhar-se com as musas.
Uma imagem que rompe com o aparente estados de coisas e signos linguísticos,o silêncio um jogo de linguagem tecendo novos jogos como niente.
Saboreio do não determinado desfrute do nada,compartilhar de nossa humildade de ser.
Um renovar constante dos conceitos e com eles também os acordos entre formas de vida.

Que ritmo ou música toca-se com a poesia? Uma fala Oracular? Terapia aos olhos opacos? Atividade estética como projeção do sujeito no objeto estético?
Nova intensidade não descrita sempre será sentida.um livre jogo da imaginação vai passeando entre pensamento.
Impessoalmente emoção que se constrói como embelezar da alma sem utilidade.
Arte mesma de cultivo interior exteriorizada em sonho!

DELÍRIO ONÍRICO DE SER!

Iuri Aguiar Dunham

terça-feira, 25 de maio de 2010

Argumento da Linguagem privada


Wittgenstein,através do argumento da linguagem privada,trás à tona o problema de uma linguagem apenas referida ao ego,sem relação com o signo ao qual pretende significar,um jogo linguístico no qual se pratica sozinho,fala-se para si mesmo,sem importar-se com a relação inter-subjetiva necessária para o entendimento de tal possível jogo.
essa maneira de estabelecer uma linguagem privada,apenas consistem sensações imediatas,algo que diz respeito apenas ao sujeito cognoscente,como diz wittgenstein: "é como paciência se joga sozinho." Não se faz referência real ao signo externo,sua referência é apenas mental,subjetiva.Dessa forma, a filosofia seria um discurso separado do mundo. Ao afirmar que "os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo",Wittgenstein não pretendia com isso relegar a filosofia ao mero solipsismo,antes porém,estava ocupando-se de traçar um encadeamento entre o dizer e o mostrar o mundo inter-subjetivo.
A linguagem pode ser apreendida com a definição ostensiva dos nomes,uma compreensão interna do significado,uma compreensão particular,deve ser estendida às coisas e seus significados.Logo deve haver algo no mundo em que possa-se mostrar,dizer.Que isto não é apenas a significância privada,é necessário que haja algo no mundo que aludo com a palavra aprendida ostensivamente.
A Filosofia dessa maneira redimensiona suas bases,realçando a importância de dirigir-se ao mundo "comum" em que se vive,ao mundo que relaciona pessoas,nomes,signos,significdos,em uma constante relação com os outros.Aqui a Filosofoa ganha do referir-se a vivência partilhada,ao discurso público,e não meramente a compreensão particular de uma ideia de um sujeito cognoscente.
Wittgenstein contribui fortemente para a leitura do significado sentencial,do sentido sentencial, no mundo vivido em comum pelos homens, e assim o discurso inter-subjetivo realça a importância de um nós ,e de alguma maneira do conhecimento compartilhado na linguagem pública.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Frege e o Pensamento!


Para Frege o pensamento é aquilo que se pode perguntar pela verdade. O pensamento está ligado a uma asserção,uma sentença que o anuncia como verdadeiro. O pensamento não pertence ao mundo interior,nem ao mundo circundante(exterior).O pensamento é como que um elemento não sensível,não pertencente ao portador nem ao mundo exterior.
O pensamento tem um vínculo direto com a verdade,quando asserimos algo através de uma sentença. Ao reconhecemos outros homens,reconheço que não apenas aquilo de que sou portador é objeto de meu pensamento,assim,possibilita-se através da apreensão do pensar,refletir sobre algo posto no mundo que me cerca(mundo exterior).Não sou detentor do pensamento,haja visto que o pensamento não precisa de um portador,pode existir um pensamento sem que ninguém o conheça ou o expresse.
O pensamento,como diz Frege: "Imperceptível pelos sentidos,veste-se com a roupagem perceptível da sentença". è o conhecimento sentencial que está em jogo.É através das sentenças que se pode perguntar pelos valores de verdade do pensamento.Tarefa da lógica asserir sobre o ser verdadeiro.Aqui já se estabelece algum tipo de ruptura com toda tradição filosófica,especialmente a do sec XVII,que centra-se na ideia,no mentalismo,como valor e significância da verdade do pensamento.
O que pretendia de alguma forma Descartes ao reconhecer o mundo interior, a mente,como critério seguro para as ideias claras e distintas. Para Frege as ideias não tem cheiro,não podem ser tocadas nem vistas,precisam de um portador;logo não pertencem ao mundo exterior,e sim ao mundo mental de quem os pensam e os detém. Ficando assim o pensamento relegado ao sujeito cognoscente,sem uma referência pública do discurso.
Aqui vejo a contribuição de Frege: Ao relacionar o pensamento algo sobre o qual se pode perguntar pela verdade,e a sentença como afirmando a relação de apreensão do pensar e o pensamento;põe o mundo circundante em vias de ser apreendido pelas leis do pensar,e asserindo como verdadeiro através do pensamento!

Hannah Arendt: premissas morais.


Iuri Aguiar Dunham.


O que levaria o caminho de conduta humana ao caminho de conduta moral, após o desmoronamento de todo valor moral de auto-evidência? As questões morais analisadas por Hannah Arendt na conferencia intitulada: “Algumas questões de filosofia moral”, fazem uma referência direta aos regimes totalitários. No totalitarismo vem à tona questões que necessitam de uma reflexão sobre o princípio que rege a conduta individual do homem. O olhar dirigido por Hannah Arendt, é o olhar de encontro ao desmoronamento de toda a fundamentação da moral. A moral no regime totalitário; o nazismo especificamente analisado por Hannah, é transformada em mores - costumes e condutas que poderiam ser trocadas em conformidade com o poder manipulador vigente. Aqui se revela a descrença da auto – evidência de moralidade. A denúncia de Nietzsche da desvalorização dos valores relatada por Hannah Arendt é o reflexo do vazio que a conduta moral se vê às voltas. O colapso dos padrões morais revelado nos sistemas totalitários é o ponto de partida na analise de Arendt das questões morais.
A atenção de Hannah Arendt é voltada não ao previsível ato dos criminosos declarados, e sim ao procedimento de silêncio dos que, mesmo não apoiando o nazismo, compactuaram para o desmoronamento do principio de auto-respeito. Para Hannah Arendt as denúncias morais dos crimes nazistas negligenciam que o verdadeiro comportamento que envolve questões morais, é revelado na omissão das pessoas comuns frente ao horror, cito Arendt: ”A moralidade se desintegrou em um mero conjunto de mores - condutas, costumes, convenções a serem trocadas à vontade - não por meio de criminosos, mas das pessoas comuns que,enquanto os padrões eram socialmente aceitos, nunca sonharam em duvidar do que tinham sido ensinadas a acreditar”. (Hannah Arendt: Algumas questões de filosofia moral, pág.3Trad. Adriano Correia.). Aqui o que se mostra é a proposta da analise da conduta moral, especificando o quanto se tornou desgastada e sem bases, o sentimento de um ato movido pela moralidade.
A moral fundamentada em princípios religiosos toma como medida padrões que não pertencem a este mundo. Padrões que se apoiam num absoluto divino ou em leis obrigatórias. A Auto-evidência dos mandamentos morais é analisada por Nietzsche em sua desvalorização dos valores, Nietzsche anuncia o quão sem sentido fica a moral; a morte de Deus desautoriza o homem da conduta moral. O principio divino já não é o suficiente para estabelecer uma conduta moral ao homem, o seu padrão de medida já foi anulado em sua utilidade pelos mesmos guardiões que exaltavam sua necessidade, ou seja, os detentores da conduta moral divina a degridem em suas posturas. Nietzsche ao rejeitar os valores morais vigente, não vem estabelecer novos valores, e sim demonstrar a desvalorização de todos os valores.
Hannah Arendt demonstra que no campo do julgamento dos criminosos, que efetuaram as obrigações do sistema que defendiam, nos debates que efetuaram o pretenso julgamento legal desses criminosos, as questões morais propriamente ditas, foram evitadas e desviadas. A direção do julgamento privado de um culpado, não atenta ás questões de silêncio mudo que se faz presente nos que testemunharam o horror e, após o regime totalitário findar, melhor dizendo, esfacelar-se, voltaram aos afazeres da normalidade sem tomar consciência do gesto de fuga da moralidade que estabeleciam. Na conduta de julgamento dos criminosos, os legisladores não despertam ao comum agir sem moralidade, presentes na indignidade dos atos dos que desprezam a si mesmo.
Hannah Arendt conclui que a conduta moral não é algo de evidente, mas o conhecimento moral é. Evoca Kant que com a sua formula de imperativo categórico, determina que a razão humana seja capaz distinguir entre o certo e o errado. É próprio de cada individuo a capacidade de si obrigar ao dever de cumprir um ditame da razão à vontade que se mostra na conduta moral. Unindo ao homem racional a atividade de sua vontade direcionada ao honesto e bom, eleva-se a conduta moral. É na capacidade de o homem mentir a si mesmo que se rompe o acordo moral do homem consigo mesmo. É o auto desprezo que faz com que o homem renuncie aos valores de conduta moral, no esquecimento de si revela o desprezo e uma conduta moral.Agir de acordo consigo mesmo, respeitando ao ditame da razão, a conduta moral poderia encerrar um principio do homem para com ele mesmo.Uma filosofia moral,o assunto da moralidade, é uma questão estritamente humana, e a tradição a traduz na obediência a um mandamento divino.Ora, tal mandamento já não encerra nenhum fundamento que não seja o mandamento de Deus. A conduta mostra-se quando nós mesmos determinamos nossas ações, sendo os juízes de nossos atos, a conduta moral esta relacionada na atividade do homem para consigo mesmo no ato de uma conduta em acordo com uma possível lei vigente universal. Tornando o homem apto a exercer a lealdade do dever para consigo mesmo. Para Hannah Arendt a lei moral defendida por Kant, traduz um orgulho no qual a conduta moral eleva o homem frente à imensidão do universo, rumo ao sublime, habilitando-o a efetuar sua conduta moral como legislador do real.
A obediência ao imperativo categórico Kantiano, significa que obedeço a mim mesmo, obedeço a minha razão, agindo assim de acordo com a lei que determino a mim mesmo. No imperativo categórico de Kant, a razão se dirige à própria vontade, ou seja, uno o meu conhecimento da moral na conduta em que a razão estabelece o que é bom. Uno o conhecimento moral à conduta moral. Aqui a moral dirige-se diretamente à vontade. Regulando o comportamento do homem aos mandamentos da razão em direção ao bom e honesto.
É na vontade do homem que se estabelece o valor de sua conduta moral, A filosofia moral afirma que é inconcebível ao homem efetuar o mal pelo mal, ou seja, pressupõe padrões pertencentes ao homem que o faz caminhar em direção à nobreza de atos que se revelam na recusa a admitir o absurdo da recusa de pensar o impensável. As questões morais revelam-se como peculiar ao comportamento de discernimento no homem, sobre as verdadeiras posturas diante ao repugnável ato onde se estabelece o horror diante as viciadas posturas humanas. Ao homem compete a dignidade da efetividade da conduta moral frente ao desmoronamento de todos os pressupostos morais.
Para Hannah o verdadeiro mal é revelado na recusa ao esforço de ultrapassar o horror mudo que se impoem ao homem frente às questões morais, que assola desesperadamente todo um meio social e de vida prática, onde se estabelece em jogo a postura do homem frente à pretensa dignidade de uma filosofia moral.
A filosofia moral, algumas questões analisadas por Hannah Arendt, conduz-nos á esperança da conduta do homem frente ao horror mudo que se instaura,quando a conduta do homem na recusa de agir segundo sua consciência, em conformidade com o imperativo categórico, permite-se que a moral, algumas poucas posturas individuais tidas como auto-evidente, revela-se desgastadas e evitadas.
Na conduta moral, encontra o homem a dignidade de atos que lhe são cabíveis. Exercer a moralidade nas ações que clamam por uma postura de virtude, é permitir que as ações individuais possam equivaler a um possível moral de acordo consigo. O homem guiado pelo principio moral de acordo consigo mesmo, levado a planície onde possa se estabelecer um tipo de juízo que esteja em conformidade ao cuidado de si e dos outros. É na atividade individual, visando o bem comum, que o homem se faz presente em tamanha grandeza exaltada através dos séculos.
Pensar a moralidade após o desmoronamento dos princípios que a conduziram durante a tradição, é redimensionar a conduta que deve reordenar a atividade moral do homem na tentativa de legislar o mundo em um acordo com o auto-respeito. Atentando a si mesmo como conduta de permanência na atividade moral, conhecendo o homem o valor de sua postura como homem que respeita a si e ao outro, elevando ao mundo sua moral, sua conduta de padrões individuais, de acordo com o caráter de lealdade ao justo, de acordo com a conduta moral de auto-respeito.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

certeza cética.


Hume no caráter de discussão filosófica que se pretende abordar com o início de uma clara exposição que passeia por reflexões indagações e conclusões filosóficas,abrangendo o tema da religião, a prova da existência de deus,caracterizando as exposições de ideias através de conversações entre três personagens;Filo,Cleantes,Demea.
Posto em pratica através de diálogos,em uma suavidade dialética,passeia por conceitos dogmáticos racionalistas e trata das fragilidades dos argumentos que permeiam as certezas das doutrinas religiosas vigentes em época.
Tratando de um tema amplo que não se restringe a um único nível de abordagem e determinação de respostas,Hume nos brinda com clareza de lucidez lógica reflexiva.
Partindo do argumento do desígnio proposto como prova da existência de deus por Clentes,e de sua analogia de uma causa inteligente, fundamento de toda as coisas criadas,esclarece através de filo, o possível representante da doutrina do autor, a fragilidade de tais argumentos.
Cleantes defende a semelhança na concepção de deus no homem; A capacidade do entendimento humano conhecer e participar da onipotência divina,o que permeia as concepções dos filósofos que trataram do assunto e as concepções dos teólogos vigentes.Cleantes parte da fundamentação a posteriori,através de analogia relacionadas com a experiência,como por exemplo,a construção de uma casa e seu autor inteligente,tenta transferir para o universo criado e o seu criador inteligível. Filo argumenta no próprio terreno de Cleantes e explicita a geração contínua incessante da natureza e a não necessidade de uma causa primeira inteligente criadora de mesma.
Demea concebe a crença na existência de deus como um mistério almejado pela fé,a incapacidade de conceber as infinitudes de um ser sublime através do finito e frágil entendimento humano.
Ao aventurar-se longe da fronteira da experiência,nos limites do inefável,o entendimento humano, é frágil e falacioso.Aqui Demea assemelha-se a Filo.
Filo vem esboçar a fragilidade nos discursos falaciosos quando o entendimento humano visa enumerar qualidades e atributos humanos ao ser divino,visão antropomórfica defendida por Cleantes.
Pondo em dúvida e esclarecendo a relatividade das certezas estabelecidas pelos racionalistas e dogmáticos,Hume imprimi o carater da rigidez cética para investigar os princípios que fundamentam a religião,com lucidez,demonstra a fragilidade e conclusões precipitadas nas concepções religiosas apoiadas em um deus para estabelecer os princípios morais que fundamentam as religiões, os passos e as ações de quem segue suas inclinações.
Diálogos que revelam uma elegante abordagem,polemizando e abrindo caminhos de reflexões,para um tema,por si só problemático.
Hume passeia e desata os nós das certezas já estipuladas pelas teologias e algumas filosofias.
Ao argumento de Cleante,o argumento do desígnio,visando uma prova a posteriri na experiência,relacionando a semelhança do homem em Deus.Criação como o desígnio consciente da parte de um criador dotado de inteligência .Filo contrapõe com o argumento de extrema sutileza e precisão lógica,baseado na condição imperfeita humana,diante de misérias e efemeridades,através desse argumento filo quebra com todo esforço de Cleantes e em parte com os de Demea;que visa um ordenador sublime e dotado de caracteres os quais os homens assemelham-se,em diferentes graus de perfeição.
Hume aqui desvela o véu que obscurece as interpretações de todas as crenças religiosas que proclamam o homem em semelhança com deus , o antropomorfismo apresentado por Cleante é ameaçado em seus fundamentos.
Ao abordar um tema amplo e polémico em forma de diálogo,Hume trabalha o tema da prova da existência de deus deixando fluir sem uma nítida determinação de escolha entre uma reflexão ou outra,deixa livre a abordagem sobre a religião;mas,com uma rigorosa reflexão e uma certa dose de ironia,esboça o seu pensamento no ponto de vista do persona Filo. Explicitando, combatendo e revelando a incosistencia dos argumentos que revelam as certezas de um deus e as revelações de todo o conhecimento de deus e a sua existência tomada como um carater errefutável,estabelecendo a incapacidade do entendimento,de possuir uma razão sublime e capaz de provar por ela mesma,em semelhança com um ser divino,Hume problematiza os fundamentos religiosos bem como o de toda forma de conhecer humano.
Tratando da relatividade e inconstância das proposições religiosas e a relatividades dos conceitos que a determinam,dando-lhe um falacioso ar de soberana sapiência e certeza dogmática.
Hume propõe uma nova tomada de reflexão,uma reflexão sobre o entendimento humano,sobre a postura diante das certezas adequadas ao saber soberano,diante das certezas racionais-dogmáticas,Hume estabelece o rigor e a precisão dos argumentos céticos do hábito,da associação de ideias e dos meros psicologismos que engendram a razão humana.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

luzmundo


Cânticos e olhares reluzentes
brancos como alma mundo
um gole santo
floresta espaço solto
os grilos cantam
acompanhando-nos
entoações de chocalho soando leve
sereno veículo de firmeza no pensamento
espiritos dançam e encantam
sussurrando re-velações a cada ser único
unidos em comum
êxtase e retorno com a criação viva!

à guiar!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Platão vs Homero!(breve reflexão).


Platão Homero filosofia política.?!

. Iuri


“Platão contra Homero: eis o verdadeiro, o inteiro antagonismo – ali, o mais voluntarioso ‘partidário do além’, o grande caluniador da vida; aqui, o involuntário divinizador da vida, a natureza áurea” (Nietzsche).


“A caverna é comparável ao Hades” (Platão).


Assim levantarei a questão de relação entre Platão e Homero, tendo em linha o refletir constante entre as oposições rumo ao salto metafísico buscando a imortalidade. Adiante tentarei refletir tais posturas e as relações assinaladas entre atividade política e atividade filosófica.
Na oposição entre Homero e Platão ressaltam-se as maneiras possíveis de se chegar à imortalidade, a honra e a glória que Homero impulsionava era praticada na lealdade e na coragem, através das batalhas. A direção que impulsionava os homens em vista de sua imortalidade ansiada como os deuses, era a atividade voltada para as recompensas terrenas; Platão ao destacar os homens dentro da caverna, aprisionados em grilhões quase que próprios relegados às aparências, às opiniões que a multidão revela no jogo das multiplicidades humana. Os que estão dentro da caverna, se ocupam com coisas como que irrisórias a verdade há de ser encontrada em outro nível possível. O mundo em que se vive é de mera aparência, o jogo da multidão, da opinião é desvalorizado em vista ao ideal sublime do belo e bom.
Platão relega a vida a um mero reflexo turvo e imperfeito do mundo eterno e imutável, o mundo das idéias da contemplação. Os que estão na caverna presos as imagens imperfeitas são vistos como obscurecidos e aprisionados ao passageiro.
Em Homero tem se em vista a imortalidade transmitida à posteridade-tradição, nos fatos narráveis de coragem e proeza, semelhante a um deus, o homem exerce sua parcela divina na atividade gloriosa terrena. A exaltação de suas proezas é transmitida à posteridade, em meios de educação da valorização da excelência de atividades gloriosas.

A oposição entre filosofia e política surgiu com o julgamento e a condenação de Sócrates, o que fez com que Platão desencante com a vida da Polis. O fato de Sócrates não ter conseguido persuadir o júri ateniense, revelou-se em Platão o rompimento com a velha Peitho, estabelecendo padrões absolutos como medida de verdade.
Trava-se a oposição entre o homem de compreensão útil a vida pública e o Sophon, o sábio ocupado em coisas divinas, em busca, através do nous, a semelhança na imortalidade divina. Sócrates não invalida como Platão o fez, a doxa, as opiniões, dos cidadãos do senso comum, compreendia a diversidade de opiniões, e através da dialegesthai*, do dialogo entre dois, fazia despertar no outro a verdade em sua doxa. Com a pretensão de tornar os cidadãos amigos, Sócrates revela a importância do outro, uma atitude política por excelência.
Em Platão que herda a imortalidade da contemplação das coisas divinas, o desprezo para com a doxa, que também estar relacionado com a fama e glória terrena, era o desprezo com a utilidade da vida na polis; a atividade do filosofo era a do ver, do contemplar, de uma vida educada para atingir a imortalidade da semelhança com os deuses. Na polis, o filósofo era visto como o que não sabe o que é útil para si mesmo, incapacitado de exercer o governo, em Platão torna-se o oposto; o filósofo é o mais bem capacitado, pois, tendo contemplado o ideal divino, assemelha-se como um deus entre os mortais, o que atingiu a verdade absoluta, imutável. A habilidade para Platão de governar do filósofo, é ser ele o mais próximo dos deuses, da imortalidade, portanto, da mais valorizada e cobiçada ação de tornar-se um deus.
Aqui o abismal separa a atividade filosófica, e a atividade política; o filosofo tendo contemplado a verdade eterna e relegado às opiniões da multidão como falsa, tornando-se assim o mais capacitado para exercer o governo, revela uma tirania da verdade, pois o que os cidadãos homens comuns têm como opinião é tida como falsa, logo a verdade absoluta exerce o comando frente à multiplicidade das concepções individuais.
Na tradição Socrática o dialogo com o outro é a maneira de reunir, agrupar, na tentativa de ornar os cidadãos. Atento as opiniões alheias, Sócrates fazia os homens parirem a verdade em meio as suas opiniões. O relacionamento com a doxa do outro na tentativa de fazê-la mais verdadeira, era o caminho pelo qual Sócrates conduz a busca de tornar tanto o outro como ele mesmo mais verdadeiro.
A contemplação atividade do filósofo por excelência, afasta-os da vida útil na polis, o ideal de mortalidade os separam do outro, do comum em diferença, a verdade absoluta revela o desrespeito à atividade do outro e a união em comum. Daí a visão de inutilidade da filosofia, frente à política.
Na separação platônica entre corpo e alma pode-se notar a oposição entre filosofia e política. Cabe ao filosofo o exercício da alma e à política a ocupação com o material; revela-se já aqui a oposição entre verdade e opinião, os padrões das verdades absolutas vão invadindo as relações diferenciadas entre os cidadãos na polis impondo a certeza de ser deus e do esquecimento do homem, de exaltar condições divinas em meio a real condição humana de miséria e grandeza, de preocupar-se em morar no extraordinário, relegando ao esquecimento o outro e o ordinário.

As Aventuras de Gilgamesh

As aventuras de Gilgamesh.
Iuri Aguiar

O homem diante de suas vicissitudes e pretensa busca de algo lhe pertence, pertencendo na medida em que se atira ao encontro com o que se desvela insatisfação da busca. Eis diante de mim um tratado e de um homem chamado Gilgamesh, Rei de Uruk, ”eis o homem para que todas as coisas eram conhecidas” (A Epopéia de Gilgamesh, pág. 92). Um homem que conhece mistérios, que pena, atira-se num lance ao mundo instaurando o destino. A jornada de um herói, um humano, um mortal, um rei, um filho dos deuses; Que passa que fica glorifica e morre... O destino assalta-o em sua fortaleza toda esplenderosa de certeza descrédito, e o leva ao caminho desconhecido dos sonos misteriosos da floresta, da dor da escuridão que atravessa em busca da certeza da vida eterna, conhece segredos, é ajudado pelos deuses, e, numa procura desenfreada do desconhecido, perpassa a vaidade, onde se estampa a mediocridade, num olhar cansado e fraco com medo e pavor, revela a eterna desaventurança do homem em seu mundo de possibilidades. Retorna ao lar e conta-nos sua historia.
Gilgamesh parte em busca de si mesmo na jornada humana do herói.
Tomo aqui em minha interpretação como um rito de passagem o momento em que Gilgamesh chora. Gilgamesh tendo ido banhar-se no rio, uma serpente sente o cheiro da flor que Gilgamesh tinha se exaurido para conseguir, e que lhe forneceria a juventude, e toma-lhe a flor das mãos. Após esse momento o nosso herói reconhece em incertitudes os caminhos tortuosos que fizeram chegar ao conhecimento de miséria e grandeza, espanta-se pelo fato de ter se exaurido, passado frio e temor, e depois de uma longa jornada nada lhe restar. Gilgamesh chora e decide voltar o mais rápido ao recanto do seu lar, onde é reconhecido como rei. Levando consigo, após um momento de névoa, a experiência do desfrute do conhecimento interno e pessoal e de sua posição e parte, na gloria dos homens, ajudado pelos deuses. Momento esse em que a névoa da duvida, o desabar do desfrute da possibilidade de ser imortal, a tentativa de assemelhar-se aos deuses, faz com que, ele reconheça seu valor. Há uma renascença em si mesmo e maior atenção ao que lhe aproxima como ser humano. A mediocridade e a honra revelam-se como que numa busca onde o equilíbrio é estabelecido pela procura, pela força de ser, a se findar na morte. Aqui Gilgamesh reconhece a aceita sua finitude e desaventurança que se preenche na aventura do encontro com o inesperado, caminho de si. Uma outra passagem de ritos, do caminho que leva ao conhecer mítico da possibilidade humana de estabelecer, uma maior integração com que lhe transcende; O momento em que na luta contra o guardião da floresta, o Humbaba, Gilgamesh fraqueja e é ajudado pelos deuses que o guardam e protegem. Momento em que sua vida é guiada pelo que o ultrapassa, um instante que desfruta da possibilidade de ser um deus, de estar integrado com a força da natureza cósmica dos deuses, forças estas que fazem parte e atuam na jornada do homem-herói-deus, Gilgamesh! Aqui lhe é concedida a graça de participar da conduta de ser para deuses. Reconhece a importância de sua jornada e a bênção de um deus esplendoroso com Shamash que já havia aceitado a sua oferenda. Gilgamesh segue firme e determinado a cumprir a missão de sua jornada. Perpassada por ritos e numa tentativa de demonstrar ao caminho do inefável, que se faz na efetiva conduta de relatos míticos, a epopeia registra o caminho que o homem efetua para o alcance de si, o reconhecimento de sua possibilidade de existência e conduta no comportamento da vida.
Outra interpretação que faço aqui é o momento de volta e morte do herói. Após ter reconhecido sua nova posição frente às leis cósmicas que regem, Gilgamesh escreve seu conhecimento ao povo do seu reinado, reconhece sua jornada, aceitando-a como condição de possibilidade de justificação de existência, Reavalia sua antiga atitude despótica, transmite o conhecimento de suas façanhas, aceitando a dor, glorifica a vida, e á transmite com entusiasmo e inebriada satisfação que o tornara glorioso, quase como um deus diante aos mortais. Eis a glorificação do herói ao alcance de si.


Bibliografia:
A Epopéia de Gilgamesh. Anônimo, Martins Fontes