Platão Homero filosofia política.?!
. Iuri
“Platão contra Homero: eis o verdadeiro, o inteiro antagonismo – ali, o mais voluntarioso ‘partidário do além’, o grande caluniador da vida; aqui, o involuntário divinizador da vida, a natureza áurea” (Nietzsche).
“A caverna é comparável ao Hades” (Platão).
Assim levantarei a questão de relação entre Platão e Homero, tendo em linha o refletir constante entre as oposições rumo ao salto metafísico buscando a imortalidade. Adiante tentarei refletir tais posturas e as relações assinaladas entre atividade política e atividade filosófica.
Na oposição entre Homero e Platão ressaltam-se as maneiras possíveis de se chegar à imortalidade, a honra e a glória que Homero impulsionava era praticada na lealdade e na coragem, através das batalhas. A direção que impulsionava os homens em vista de sua imortalidade ansiada como os deuses, era a atividade voltada para as recompensas terrenas; Platão ao destacar os homens dentro da caverna, aprisionados em grilhões quase que próprios relegados às aparências, às opiniões que a multidão revela no jogo das multiplicidades humana. Os que estão dentro da caverna, se ocupam com coisas como que irrisórias a verdade há de ser encontrada em outro nível possível. O mundo em que se vive é de mera aparência, o jogo da multidão, da opinião é desvalorizado em vista ao ideal sublime do belo e bom.
Platão relega a vida a um mero reflexo turvo e imperfeito do mundo eterno e imutável, o mundo das idéias da contemplação. Os que estão na caverna presos as imagens imperfeitas são vistos como obscurecidos e aprisionados ao passageiro.
Em Homero tem se em vista a imortalidade transmitida à posteridade-tradição, nos fatos narráveis de coragem e proeza, semelhante a um deus, o homem exerce sua parcela divina na atividade gloriosa terrena. A exaltação de suas proezas é transmitida à posteridade, em meios de educação da valorização da excelência de atividades gloriosas.
A oposição entre filosofia e política surgiu com o julgamento e a condenação de Sócrates, o que fez com que Platão desencante com a vida da Polis. O fato de Sócrates não ter conseguido persuadir o júri ateniense, revelou-se em Platão o rompimento com a velha Peitho, estabelecendo padrões absolutos como medida de verdade.
Trava-se a oposição entre o homem de compreensão útil a vida pública e o Sophon, o sábio ocupado em coisas divinas, em busca, através do nous, a semelhança na imortalidade divina. Sócrates não invalida como Platão o fez, a doxa, as opiniões, dos cidadãos do senso comum, compreendia a diversidade de opiniões, e através da dialegesthai*, do dialogo entre dois, fazia despertar no outro a verdade em sua doxa. Com a pretensão de tornar os cidadãos amigos, Sócrates revela a importância do outro, uma atitude política por excelência.
Em Platão que herda a imortalidade da contemplação das coisas divinas, o desprezo para com a doxa, que também estar relacionado com a fama e glória terrena, era o desprezo com a utilidade da vida na polis; a atividade do filosofo era a do ver, do contemplar, de uma vida educada para atingir a imortalidade da semelhança com os deuses. Na polis, o filósofo era visto como o que não sabe o que é útil para si mesmo, incapacitado de exercer o governo, em Platão torna-se o oposto; o filósofo é o mais bem capacitado, pois, tendo contemplado o ideal divino, assemelha-se como um deus entre os mortais, o que atingiu a verdade absoluta, imutável. A habilidade para Platão de governar do filósofo, é ser ele o mais próximo dos deuses, da imortalidade, portanto, da mais valorizada e cobiçada ação de tornar-se um deus.
Aqui o abismal separa a atividade filosófica, e a atividade política; o filosofo tendo contemplado a verdade eterna e relegado às opiniões da multidão como falsa, tornando-se assim o mais capacitado para exercer o governo, revela uma tirania da verdade, pois o que os cidadãos homens comuns têm como opinião é tida como falsa, logo a verdade absoluta exerce o comando frente à multiplicidade das concepções individuais.
Na tradição Socrática o dialogo com o outro é a maneira de reunir, agrupar, na tentativa de ornar os cidadãos. Atento as opiniões alheias, Sócrates fazia os homens parirem a verdade em meio as suas opiniões. O relacionamento com a doxa do outro na tentativa de fazê-la mais verdadeira, era o caminho pelo qual Sócrates conduz a busca de tornar tanto o outro como ele mesmo mais verdadeiro.
A contemplação atividade do filósofo por excelência, afasta-os da vida útil na polis, o ideal de mortalidade os separam do outro, do comum em diferença, a verdade absoluta revela o desrespeito à atividade do outro e a união em comum. Daí a visão de inutilidade da filosofia, frente à política.
Na separação platônica entre corpo e alma pode-se notar a oposição entre filosofia e política. Cabe ao filosofo o exercício da alma e à política a ocupação com o material; revela-se já aqui a oposição entre verdade e opinião, os padrões das verdades absolutas vão invadindo as relações diferenciadas entre os cidadãos na polis impondo a certeza de ser deus e do esquecimento do homem, de exaltar condições divinas em meio a real condição humana de miséria e grandeza, de preocupar-se em morar no extraordinário, relegando ao esquecimento o outro e o ordinário.
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