salto o espaço-tempo
solto sem espaço de tempo
entego-me ao sonho
num tom
imaginário.
domingo, 5 de outubro de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Olhante.
Entre seus atos e gestos
Entre o canto dos olhos
Entre aberto seu copo nu espaço
Entre a singela alegria
Atravessa o porvir dos laços
Encontro na simplicidade
Além e pelos meus medos
Além da cotidianidade declarada
Além da sedução forçada
reverso advir
segunda-feira, 10 de março de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Rebento amanhece trazendo
Sons cores distantes
O vento sopra em brisa
Amanheço convocado ao apelo
Canto da vida renovada
Desperto caminho criativo
Na imagem sorriso do espanto
Sutileza que transborda instantes
Sendo nesse encanto
Solidão do encontro momento de transe
Anoiteço na claridade estelar
São olhos brilhosos do teu corpo
Singelo cintilar
Momentos saboreados ao coração
Movendo a emoção
Ondas elétricas correm o corpo
Trovão do querer lago da vida
Rio que me leva você.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Sensação serena envolve o meu dia,
lembro sua fluida existência,
seu corpo solto bailando
entre a leveza imaginária
e o tenso acorde sonoro de sua ausência
Sua presença, presente ao coração,
move, co-move, emociona,
faz crescer,
eleva, envolve, acolhe e acomoda,
riso dos olhos, profundidade da pele
alegria do existir, potência criadora.
Quem é você? Delírio quimérico meu? Encontro encantado?
Fazendo o brilho irradiar anda natural.
Mergulho no recôndito da noite,
algazarra ao amanhecer,
orvalho deitado nas folhas,
esperança que desponta, solidão...
solitude que escava lapidando meu ser,
que já é por você,
Arte da Vida.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Hoje tive a nítida impressão da
esperança e alegria na delicadeza do encontro, presenciei um olhar do primeiro
instante, aqueles momentos onde o olhar é encantado, onde o ver e o sentir são
movidos a partir da capacidade de maravilhar-se de sentir-se integrado, preenchido.
Uma família reunida, pai mãe e
três crianças; um bebê uma adolescente e uma menina de uns seis anos com tranças
afros e coloridos que exalavam a magnitude da maravilha do tom ébano de pele, desfrutavam
a primeira vista imensidão do mar.
Olha o mar! Admirou-se a menina,
o pai sorria uma clara visão de entusiasmo, de espanto, de saborear a singela
alegria com o novo, os olhos brilhavam; Como sabe que é o mar, você nunca viu,
pergunto o pai... Não ouvi o que a menina maravilhada respondeu, na verdade, o
que me chamou atenção era o Encontro, a capacidade de vivenciar o espanto, a
admiração, na presença do mistério, do não conhecido, a capacidade mesma de
desfrutar o êxtase da primeira espiada, experiência do extraordinário no ordinário.
Uma sensação de alegria enchia a
monotonia de cores, trazendo uma irradiação de pureza, de celebração da vida,
aquele momento me trouxe uma sensação de entusiasmo, me fazendo sentir parte de
uma mesma visão, de uma mesma família, que durante o rolar da pedra de Sísifo,
encontra-se feliz, diz um sonoro e forte sim a vida, sim ao viver, um encontro
encantado pelo puro e singelo, pela espera da escuta, pelo olhar sempre
renovado, vivenciando o agora no alento que o mar traz.
Olhos molhados em alegria, sorrisos
e acolhimento, lembrança de um tempo perdido, descoberto, revivido, construído com
a simplicidade de poder mover e emocionar-se pelas cores da vida convidativa,
família linda me fez olhar pra mim mesmo, para a pressa que seguimos no anseio
da felicidade, me fez aprender a saborear o momento já.
Sigo andando, dou uma última
olhada para a família afro real, o bebê me olhava com um olhar inquieto, questionador,
decifrando o prazer que sinto a gratidão do encontro, o presente que o acaso me
proporcionava, seus olhos glaucos mostravam a espontânea sensação de ser, e
abriu um sorriso clarificante, dando-me a graça da sua benção, despedida do
puro e singelo encontro.
Muito Obrigado os que brilham na
presença da simplicidade renovando seus olhos meus.
http://www.flickr.com/photos/mariamariadunham/3732966759/in/photostream/
domingo, 12 de janeiro de 2014
Caindo a noite partiu acelerado
rumo ao encontro com Lisa, pouco se passava em seus pensamentos, algum impulso
o fazia mergulhar em uma profunda estarreces parecia que a necessidade de
milhares de vozes opressoras que constantemente marca o caminho adolescente
ecoava em seus passos acelerados. Ainda ouvia rifes velozes do hard core, e a
noite oferecia-se, naquele mês de inverno em SSA, ao deslumbre underground das
ratazanas negras que espalhavam o som de peso na cidade.
Impelido a novas experiências
sinestésicas Luquinha irradiava a ânsia e coragem, o impulso vital de saborear
sentidos confundindo o dia e a noite, tornando relativamente sutil o limite
entre os dois, perambulava sonoramente o claro e escuro de si e da vida.
Marcara no final do corredor da
vitória para o encontro surpresa com Lisa, iria ao festival de Rock que
prometia encontro êxtases e conversas lançadas ao tempo com o tempo interno
repletos de descobertas características de uma fase de lançamento ao mundo das possibilidades,
cada noite uma vida vivida entre o continuo despertar da urgência em viver.
___ Trouxe?
___ Na mão.
Lisa uma princesa que Lukinha
conhecerá naquele mesmo dia de Sábado na coringa, que aglutinava quem curtia o
underground. Aconteceu que o tempo perdido se fez revivido. Intensidades
impulsionavam os novos amigos ao desfrute do dia anil, de volta e volta com
suas promessas. E assim seria. Na noite estreante que redimia os impulsos
inconstantes.
Lua mostrava uma sinceridade que
confortava Lucas, ela estava envolvida em vestes escuras, o que realça com
fulgor sua pele branca e seus olhos verdes, o cabelo negro escorrido pelos ombros,
parecia uma ninfa que acabara de chegar à cidade quente e misturada, dando lhe
um ar de estrangeira apenas a noite acolhia o contato das cores e o contraste
das pessoas alheias as inimagináveis aventuras servidas gentilmente pela
atração da canção noturna. Canção da simplicidade do som.
___ Me sinto impelido rumo à eternidade quando
saboreia o encontro contigo. Acho que somos deuses nessas noites caóticas.
Minha Princesa Pálida.
___ Deuses desses que enobrecem a vaidade humana sua vaidade né
mocinho?!
___ Nada disso embalamos o sonoro da criatividade em nossas bocas
incontidas, deslizamos na noite solitária a coragem nos faz deuses do
underground Lisa!
Tomaram o ônibus rumo ao circo
onde aconteciam apresentações de bandas da cena periférica da cidade, na
paisagem da janela desfilava memoria que o homem insiste em escrever com
construções suntuosas, um impulso incontido na ânsia Metafisica da perenidade.
Lukinha sempre introspectivo
ansiava a contemplação do som forte e pulsante, como corações acelerados que
marcavam o ritmo heavy das apresentações, parecia que o som o tirava da
letargia o fazendo entrar em um estado enérgico levando o transe comunicativo
da união com o caos de seus conflitos internos.
__ Olha lá a Juliana, pera um
pouco lukinha.
Lisa corria e gritava aos braços da sua amiga Juliana,
encontro enaltecido pelo som que conduzia velozmente a relação amistosa de
Juliana e Lisa meninas eram poucas na noite heavy e o espaço de celebração
engrandecia à medida que o ritmo acelerava os pensamentos desconexos.
Lukinha também corria só que em
direção ao palco para extravagar toda insatisfação e irradiante sensação de
liberdade na noite que oferecia o contato com a frenética e louca liberdade
palpável na dança na musica e na presença dos loucos cabeludos negros que
marchavam a medieval idade contemporânea na Siderópolis soterópolis.
Certamente eram deuses vaidosos.
__ Juliana, estava pensando em
montar uma banda só de meninas o que acha?
__ Não delira como vamos achar
quem seja realmente underground para tocar conosco?
Juliana era estudante de Belas
Artes, envolvida com manifestos e pinturas subversivas na cidade adormecida de
jovens alienados pelo consumo midiático, ela e Lisa faziam circular um fanzine
com desenhos e pinturas autorais, maneira mesma de ultrapassar a fronteira do já
visto lido e dito.
__ Juliana suas expressões
artísticas são um deleite ao desfrute da contemplação alheia, mistura de
delicadeza e a insatisfação visceral de existir limitado por anseios medíocres
da cidade e de nos mesmos. Comentou Lukinha gesticulando de forma teatral e
sedutoramente infantil.
__ Expressões de nossas horas de
tedio e angustia sem o encontro com a Lua Cheia, brincou Juliana.
__ Expressões de nossos desejos
improváveis impensados e impulsionados pela leveza da Vida, explanou Lisa com
sua foz rouca e inebriada de sensações sãs.
“Delírio noturno moçada é agora
que vamos voar”. Gritava o vocalista da banda em cena fumaça e sonzeira abafava
o espaço da solidão e do tedio, novo ritmo acelerado nos olhos vitrificados das
forças do existir.
Lukinha ficou saboreando a
primeira edição do fanzine...A trilha sonora o levava a novas descobertas e
potencialidades criadoras misturando-se com hálito renovado da vida sofrida na
favela do baixo.
__ É isso que quero. Disse
entusiasmado a si mesmo.
“Vida Sacana”... “O povo na
lama”... ”desiludido”... Ecoava embaixo
da lona teatral da fuga na linha incerta do torpor inspirado na revolução
interna de cada um maquina desejante em transformar o mundo com um grito
incontido da nova maneira de existir, colorindo de cinza a tristeza sem cor dos
olhos opacos opressores do mundo, que normalmente soa como maneira intima de
linha imediata da incerteza e surpresa da vida.
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