terça-feira, 25 de maio de 2010

Argumento da Linguagem privada


Wittgenstein,através do argumento da linguagem privada,trás à tona o problema de uma linguagem apenas referida ao ego,sem relação com o signo ao qual pretende significar,um jogo linguístico no qual se pratica sozinho,fala-se para si mesmo,sem importar-se com a relação inter-subjetiva necessária para o entendimento de tal possível jogo.
essa maneira de estabelecer uma linguagem privada,apenas consistem sensações imediatas,algo que diz respeito apenas ao sujeito cognoscente,como diz wittgenstein: "é como paciência se joga sozinho." Não se faz referência real ao signo externo,sua referência é apenas mental,subjetiva.Dessa forma, a filosofia seria um discurso separado do mundo. Ao afirmar que "os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo",Wittgenstein não pretendia com isso relegar a filosofia ao mero solipsismo,antes porém,estava ocupando-se de traçar um encadeamento entre o dizer e o mostrar o mundo inter-subjetivo.
A linguagem pode ser apreendida com a definição ostensiva dos nomes,uma compreensão interna do significado,uma compreensão particular,deve ser estendida às coisas e seus significados.Logo deve haver algo no mundo em que possa-se mostrar,dizer.Que isto não é apenas a significância privada,é necessário que haja algo no mundo que aludo com a palavra aprendida ostensivamente.
A Filosofia dessa maneira redimensiona suas bases,realçando a importância de dirigir-se ao mundo "comum" em que se vive,ao mundo que relaciona pessoas,nomes,signos,significdos,em uma constante relação com os outros.Aqui a Filosofoa ganha do referir-se a vivência partilhada,ao discurso público,e não meramente a compreensão particular de uma ideia de um sujeito cognoscente.
Wittgenstein contribui fortemente para a leitura do significado sentencial,do sentido sentencial, no mundo vivido em comum pelos homens, e assim o discurso inter-subjetivo realça a importância de um nós ,e de alguma maneira do conhecimento compartilhado na linguagem pública.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Frege e o Pensamento!


Para Frege o pensamento é aquilo que se pode perguntar pela verdade. O pensamento está ligado a uma asserção,uma sentença que o anuncia como verdadeiro. O pensamento não pertence ao mundo interior,nem ao mundo circundante(exterior).O pensamento é como que um elemento não sensível,não pertencente ao portador nem ao mundo exterior.
O pensamento tem um vínculo direto com a verdade,quando asserimos algo através de uma sentença. Ao reconhecemos outros homens,reconheço que não apenas aquilo de que sou portador é objeto de meu pensamento,assim,possibilita-se através da apreensão do pensar,refletir sobre algo posto no mundo que me cerca(mundo exterior).Não sou detentor do pensamento,haja visto que o pensamento não precisa de um portador,pode existir um pensamento sem que ninguém o conheça ou o expresse.
O pensamento,como diz Frege: "Imperceptível pelos sentidos,veste-se com a roupagem perceptível da sentença". è o conhecimento sentencial que está em jogo.É através das sentenças que se pode perguntar pelos valores de verdade do pensamento.Tarefa da lógica asserir sobre o ser verdadeiro.Aqui já se estabelece algum tipo de ruptura com toda tradição filosófica,especialmente a do sec XVII,que centra-se na ideia,no mentalismo,como valor e significância da verdade do pensamento.
O que pretendia de alguma forma Descartes ao reconhecer o mundo interior, a mente,como critério seguro para as ideias claras e distintas. Para Frege as ideias não tem cheiro,não podem ser tocadas nem vistas,precisam de um portador;logo não pertencem ao mundo exterior,e sim ao mundo mental de quem os pensam e os detém. Ficando assim o pensamento relegado ao sujeito cognoscente,sem uma referência pública do discurso.
Aqui vejo a contribuição de Frege: Ao relacionar o pensamento algo sobre o qual se pode perguntar pela verdade,e a sentença como afirmando a relação de apreensão do pensar e o pensamento;põe o mundo circundante em vias de ser apreendido pelas leis do pensar,e asserindo como verdadeiro através do pensamento!

Hannah Arendt: premissas morais.


Iuri Aguiar Dunham.


O que levaria o caminho de conduta humana ao caminho de conduta moral, após o desmoronamento de todo valor moral de auto-evidência? As questões morais analisadas por Hannah Arendt na conferencia intitulada: “Algumas questões de filosofia moral”, fazem uma referência direta aos regimes totalitários. No totalitarismo vem à tona questões que necessitam de uma reflexão sobre o princípio que rege a conduta individual do homem. O olhar dirigido por Hannah Arendt, é o olhar de encontro ao desmoronamento de toda a fundamentação da moral. A moral no regime totalitário; o nazismo especificamente analisado por Hannah, é transformada em mores - costumes e condutas que poderiam ser trocadas em conformidade com o poder manipulador vigente. Aqui se revela a descrença da auto – evidência de moralidade. A denúncia de Nietzsche da desvalorização dos valores relatada por Hannah Arendt é o reflexo do vazio que a conduta moral se vê às voltas. O colapso dos padrões morais revelado nos sistemas totalitários é o ponto de partida na analise de Arendt das questões morais.
A atenção de Hannah Arendt é voltada não ao previsível ato dos criminosos declarados, e sim ao procedimento de silêncio dos que, mesmo não apoiando o nazismo, compactuaram para o desmoronamento do principio de auto-respeito. Para Hannah Arendt as denúncias morais dos crimes nazistas negligenciam que o verdadeiro comportamento que envolve questões morais, é revelado na omissão das pessoas comuns frente ao horror, cito Arendt: ”A moralidade se desintegrou em um mero conjunto de mores - condutas, costumes, convenções a serem trocadas à vontade - não por meio de criminosos, mas das pessoas comuns que,enquanto os padrões eram socialmente aceitos, nunca sonharam em duvidar do que tinham sido ensinadas a acreditar”. (Hannah Arendt: Algumas questões de filosofia moral, pág.3Trad. Adriano Correia.). Aqui o que se mostra é a proposta da analise da conduta moral, especificando o quanto se tornou desgastada e sem bases, o sentimento de um ato movido pela moralidade.
A moral fundamentada em princípios religiosos toma como medida padrões que não pertencem a este mundo. Padrões que se apoiam num absoluto divino ou em leis obrigatórias. A Auto-evidência dos mandamentos morais é analisada por Nietzsche em sua desvalorização dos valores, Nietzsche anuncia o quão sem sentido fica a moral; a morte de Deus desautoriza o homem da conduta moral. O principio divino já não é o suficiente para estabelecer uma conduta moral ao homem, o seu padrão de medida já foi anulado em sua utilidade pelos mesmos guardiões que exaltavam sua necessidade, ou seja, os detentores da conduta moral divina a degridem em suas posturas. Nietzsche ao rejeitar os valores morais vigente, não vem estabelecer novos valores, e sim demonstrar a desvalorização de todos os valores.
Hannah Arendt demonstra que no campo do julgamento dos criminosos, que efetuaram as obrigações do sistema que defendiam, nos debates que efetuaram o pretenso julgamento legal desses criminosos, as questões morais propriamente ditas, foram evitadas e desviadas. A direção do julgamento privado de um culpado, não atenta ás questões de silêncio mudo que se faz presente nos que testemunharam o horror e, após o regime totalitário findar, melhor dizendo, esfacelar-se, voltaram aos afazeres da normalidade sem tomar consciência do gesto de fuga da moralidade que estabeleciam. Na conduta de julgamento dos criminosos, os legisladores não despertam ao comum agir sem moralidade, presentes na indignidade dos atos dos que desprezam a si mesmo.
Hannah Arendt conclui que a conduta moral não é algo de evidente, mas o conhecimento moral é. Evoca Kant que com a sua formula de imperativo categórico, determina que a razão humana seja capaz distinguir entre o certo e o errado. É próprio de cada individuo a capacidade de si obrigar ao dever de cumprir um ditame da razão à vontade que se mostra na conduta moral. Unindo ao homem racional a atividade de sua vontade direcionada ao honesto e bom, eleva-se a conduta moral. É na capacidade de o homem mentir a si mesmo que se rompe o acordo moral do homem consigo mesmo. É o auto desprezo que faz com que o homem renuncie aos valores de conduta moral, no esquecimento de si revela o desprezo e uma conduta moral.Agir de acordo consigo mesmo, respeitando ao ditame da razão, a conduta moral poderia encerrar um principio do homem para com ele mesmo.Uma filosofia moral,o assunto da moralidade, é uma questão estritamente humana, e a tradição a traduz na obediência a um mandamento divino.Ora, tal mandamento já não encerra nenhum fundamento que não seja o mandamento de Deus. A conduta mostra-se quando nós mesmos determinamos nossas ações, sendo os juízes de nossos atos, a conduta moral esta relacionada na atividade do homem para consigo mesmo no ato de uma conduta em acordo com uma possível lei vigente universal. Tornando o homem apto a exercer a lealdade do dever para consigo mesmo. Para Hannah Arendt a lei moral defendida por Kant, traduz um orgulho no qual a conduta moral eleva o homem frente à imensidão do universo, rumo ao sublime, habilitando-o a efetuar sua conduta moral como legislador do real.
A obediência ao imperativo categórico Kantiano, significa que obedeço a mim mesmo, obedeço a minha razão, agindo assim de acordo com a lei que determino a mim mesmo. No imperativo categórico de Kant, a razão se dirige à própria vontade, ou seja, uno o meu conhecimento da moral na conduta em que a razão estabelece o que é bom. Uno o conhecimento moral à conduta moral. Aqui a moral dirige-se diretamente à vontade. Regulando o comportamento do homem aos mandamentos da razão em direção ao bom e honesto.
É na vontade do homem que se estabelece o valor de sua conduta moral, A filosofia moral afirma que é inconcebível ao homem efetuar o mal pelo mal, ou seja, pressupõe padrões pertencentes ao homem que o faz caminhar em direção à nobreza de atos que se revelam na recusa a admitir o absurdo da recusa de pensar o impensável. As questões morais revelam-se como peculiar ao comportamento de discernimento no homem, sobre as verdadeiras posturas diante ao repugnável ato onde se estabelece o horror diante as viciadas posturas humanas. Ao homem compete a dignidade da efetividade da conduta moral frente ao desmoronamento de todos os pressupostos morais.
Para Hannah o verdadeiro mal é revelado na recusa ao esforço de ultrapassar o horror mudo que se impoem ao homem frente às questões morais, que assola desesperadamente todo um meio social e de vida prática, onde se estabelece em jogo a postura do homem frente à pretensa dignidade de uma filosofia moral.
A filosofia moral, algumas questões analisadas por Hannah Arendt, conduz-nos á esperança da conduta do homem frente ao horror mudo que se instaura,quando a conduta do homem na recusa de agir segundo sua consciência, em conformidade com o imperativo categórico, permite-se que a moral, algumas poucas posturas individuais tidas como auto-evidente, revela-se desgastadas e evitadas.
Na conduta moral, encontra o homem a dignidade de atos que lhe são cabíveis. Exercer a moralidade nas ações que clamam por uma postura de virtude, é permitir que as ações individuais possam equivaler a um possível moral de acordo consigo. O homem guiado pelo principio moral de acordo consigo mesmo, levado a planície onde possa se estabelecer um tipo de juízo que esteja em conformidade ao cuidado de si e dos outros. É na atividade individual, visando o bem comum, que o homem se faz presente em tamanha grandeza exaltada através dos séculos.
Pensar a moralidade após o desmoronamento dos princípios que a conduziram durante a tradição, é redimensionar a conduta que deve reordenar a atividade moral do homem na tentativa de legislar o mundo em um acordo com o auto-respeito. Atentando a si mesmo como conduta de permanência na atividade moral, conhecendo o homem o valor de sua postura como homem que respeita a si e ao outro, elevando ao mundo sua moral, sua conduta de padrões individuais, de acordo com o caráter de lealdade ao justo, de acordo com a conduta moral de auto-respeito.