Hoje tive a nítida impressão da
esperança e alegria na delicadeza do encontro, presenciei um olhar do primeiro
instante, aqueles momentos onde o olhar é encantado, onde o ver e o sentir são
movidos a partir da capacidade de maravilhar-se de sentir-se integrado, preenchido.
Uma família reunida, pai mãe e
três crianças; um bebê uma adolescente e uma menina de uns seis anos com tranças
afros e coloridos que exalavam a magnitude da maravilha do tom ébano de pele, desfrutavam
a primeira vista imensidão do mar.
Olha o mar! Admirou-se a menina,
o pai sorria uma clara visão de entusiasmo, de espanto, de saborear a singela
alegria com o novo, os olhos brilhavam; Como sabe que é o mar, você nunca viu,
pergunto o pai... Não ouvi o que a menina maravilhada respondeu, na verdade, o
que me chamou atenção era o Encontro, a capacidade de vivenciar o espanto, a
admiração, na presença do mistério, do não conhecido, a capacidade mesma de
desfrutar o êxtase da primeira espiada, experiência do extraordinário no ordinário.
Uma sensação de alegria enchia a
monotonia de cores, trazendo uma irradiação de pureza, de celebração da vida,
aquele momento me trouxe uma sensação de entusiasmo, me fazendo sentir parte de
uma mesma visão, de uma mesma família, que durante o rolar da pedra de Sísifo,
encontra-se feliz, diz um sonoro e forte sim a vida, sim ao viver, um encontro
encantado pelo puro e singelo, pela espera da escuta, pelo olhar sempre
renovado, vivenciando o agora no alento que o mar traz.
Olhos molhados em alegria, sorrisos
e acolhimento, lembrança de um tempo perdido, descoberto, revivido, construído com
a simplicidade de poder mover e emocionar-se pelas cores da vida convidativa,
família linda me fez olhar pra mim mesmo, para a pressa que seguimos no anseio
da felicidade, me fez aprender a saborear o momento já.
Sigo andando, dou uma última
olhada para a família afro real, o bebê me olhava com um olhar inquieto, questionador,
decifrando o prazer que sinto a gratidão do encontro, o presente que o acaso me
proporcionava, seus olhos glaucos mostravam a espontânea sensação de ser, e
abriu um sorriso clarificante, dando-me a graça da sua benção, despedida do
puro e singelo encontro.
Muito Obrigado os que brilham na
presença da simplicidade renovando seus olhos meus.
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