domingo, 12 de janeiro de 2014


Caindo a noite partiu acelerado rumo ao encontro com Lisa, pouco se passava em seus pensamentos, algum impulso o fazia mergulhar em uma profunda estarreces parecia que a necessidade de milhares de vozes opressoras que constantemente marca o caminho adolescente ecoava em seus passos acelerados. Ainda ouvia rifes velozes do hard core, e a noite oferecia-se, naquele mês de inverno em SSA, ao deslumbre underground das ratazanas negras que espalhavam o som de peso na cidade.

Impelido a novas experiências sinestésicas Luquinha irradiava a ânsia e coragem, o impulso vital de saborear sentidos confundindo o dia e a noite, tornando relativamente sutil o limite entre os dois, perambulava sonoramente o claro e escuro de si e da vida.

Marcara no final do corredor da vitória para o encontro surpresa com Lisa, iria ao festival de Rock que prometia encontro êxtases e conversas lançadas ao tempo com o tempo interno repletos de descobertas características de uma fase de lançamento ao mundo das possibilidades, cada noite uma vida vivida entre o continuo despertar da urgência em viver.

___ Trouxe?

___ Na mão.

Lisa uma princesa que Lukinha conhecerá naquele mesmo dia de Sábado na coringa, que aglutinava quem curtia o underground. Aconteceu que o tempo perdido se fez revivido. Intensidades impulsionavam os novos amigos ao desfrute do dia anil, de volta e volta com suas promessas. E assim seria. Na noite estreante que redimia os impulsos inconstantes.

Lua mostrava uma sinceridade que confortava Lucas, ela estava envolvida em vestes escuras, o que realça com fulgor sua pele branca e seus olhos verdes, o cabelo negro escorrido pelos ombros, parecia uma ninfa que acabara de chegar à cidade quente e misturada, dando lhe um ar de estrangeira apenas a noite acolhia o contato das cores e o contraste das pessoas alheias as inimagináveis aventuras servidas gentilmente pela atração da canção noturna. Canção da simplicidade do som.

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­___ Me sinto impelido rumo à eternidade quando saboreia o encontro contigo. Acho que somos deuses nessas noites caóticas. Minha Princesa Pálida.

___ Deuses desses que enobrecem a vaidade humana sua vaidade né mocinho?!

___ Nada disso embalamos o sonoro da criatividade em nossas bocas incontidas, deslizamos na noite solitária a coragem nos faz deuses do underground Lisa!

Tomaram o ônibus rumo ao circo onde aconteciam apresentações de bandas da cena periférica da cidade, na paisagem da janela desfilava memoria que o homem insiste em escrever com construções suntuosas, um impulso incontido na ânsia Metafisica da perenidade.

Lukinha sempre introspectivo ansiava a contemplação do som forte e pulsante, como corações acelerados que marcavam o ritmo heavy das apresentações, parecia que o som o tirava da letargia o fazendo entrar em um estado enérgico levando o transe comunicativo da união com o caos de seus conflitos internos.

__ Olha lá a Juliana, pera um pouco lukinha.

 Lisa corria e gritava aos braços da sua amiga Juliana, encontro enaltecido pelo som que conduzia velozmente a relação amistosa de Juliana e Lisa meninas eram poucas na noite heavy e o espaço de celebração engrandecia à medida que o ritmo acelerava os pensamentos desconexos.

Lukinha também corria só que em direção ao palco para extravagar toda insatisfação e irradiante sensação de liberdade na noite que oferecia o contato com a frenética e louca liberdade palpável na dança na musica e na presença dos loucos cabeludos negros que marchavam a medieval idade contemporânea na Siderópolis soterópolis.

Certamente eram deuses vaidosos.

__ Juliana, estava pensando em montar uma banda só de meninas o que acha?

__ Não delira como vamos achar quem seja realmente underground para tocar conosco?

Juliana era estudante de Belas Artes, envolvida com manifestos e pinturas subversivas na cidade adormecida de jovens alienados pelo consumo midiático, ela e Lisa faziam circular um fanzine com desenhos e pinturas autorais, maneira mesma de ultrapassar a fronteira do já visto lido e dito.

__ Juliana suas expressões artísticas são um deleite ao desfrute da contemplação alheia, mistura de delicadeza e a insatisfação visceral de existir limitado por anseios medíocres da cidade e de nos mesmos. Comentou Lukinha gesticulando de forma teatral e sedutoramente infantil.

__ Expressões de nossas horas de tedio e angustia sem o encontro com a Lua Cheia, brincou Juliana.

__ Expressões de nossos desejos improváveis impensados e impulsionados pela leveza da Vida, explanou Lisa com sua foz rouca e inebriada de sensações sãs.

“Delírio noturno moçada é agora que vamos voar”. Gritava o vocalista da banda em cena fumaça e sonzeira abafava o espaço da solidão e do tedio, novo ritmo acelerado nos olhos vitrificados das forças do existir.

Lukinha ficou saboreando a primeira edição do fanzine...A trilha sonora o levava a novas descobertas e potencialidades criadoras misturando-se com hálito renovado da vida sofrida na favela do baixo.

__ É isso que quero. Disse entusiasmado a si mesmo.

“Vida Sacana”... “O povo na lama”... ”desiludido”...  Ecoava embaixo da lona teatral da fuga na linha incerta do torpor inspirado na revolução interna de cada um maquina desejante em transformar o mundo com um grito incontido da nova maneira de existir, colorindo de cinza a tristeza sem cor dos olhos opacos opressores do mundo, que normalmente soa como maneira intima de linha imediata da incerteza e surpresa da vida.

 

 
à guiar.
 

 

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