Caindo a noite partiu acelerado
rumo ao encontro com Lisa, pouco se passava em seus pensamentos, algum impulso
o fazia mergulhar em uma profunda estarreces parecia que a necessidade de
milhares de vozes opressoras que constantemente marca o caminho adolescente
ecoava em seus passos acelerados. Ainda ouvia rifes velozes do hard core, e a
noite oferecia-se, naquele mês de inverno em SSA, ao deslumbre underground das
ratazanas negras que espalhavam o som de peso na cidade.
Impelido a novas experiências
sinestésicas Luquinha irradiava a ânsia e coragem, o impulso vital de saborear
sentidos confundindo o dia e a noite, tornando relativamente sutil o limite
entre os dois, perambulava sonoramente o claro e escuro de si e da vida.
Marcara no final do corredor da
vitória para o encontro surpresa com Lisa, iria ao festival de Rock que
prometia encontro êxtases e conversas lançadas ao tempo com o tempo interno
repletos de descobertas características de uma fase de lançamento ao mundo das possibilidades,
cada noite uma vida vivida entre o continuo despertar da urgência em viver.
___ Trouxe?
___ Na mão.
Lisa uma princesa que Lukinha
conhecerá naquele mesmo dia de Sábado na coringa, que aglutinava quem curtia o
underground. Aconteceu que o tempo perdido se fez revivido. Intensidades
impulsionavam os novos amigos ao desfrute do dia anil, de volta e volta com
suas promessas. E assim seria. Na noite estreante que redimia os impulsos
inconstantes.
Lua mostrava uma sinceridade que
confortava Lucas, ela estava envolvida em vestes escuras, o que realça com
fulgor sua pele branca e seus olhos verdes, o cabelo negro escorrido pelos ombros,
parecia uma ninfa que acabara de chegar à cidade quente e misturada, dando lhe
um ar de estrangeira apenas a noite acolhia o contato das cores e o contraste
das pessoas alheias as inimagináveis aventuras servidas gentilmente pela
atração da canção noturna. Canção da simplicidade do som.
___ Me sinto impelido rumo à eternidade quando
saboreia o encontro contigo. Acho que somos deuses nessas noites caóticas.
Minha Princesa Pálida.
___ Deuses desses que enobrecem a vaidade humana sua vaidade né
mocinho?!
___ Nada disso embalamos o sonoro da criatividade em nossas bocas
incontidas, deslizamos na noite solitária a coragem nos faz deuses do
underground Lisa!
Tomaram o ônibus rumo ao circo
onde aconteciam apresentações de bandas da cena periférica da cidade, na
paisagem da janela desfilava memoria que o homem insiste em escrever com
construções suntuosas, um impulso incontido na ânsia Metafisica da perenidade.
Lukinha sempre introspectivo
ansiava a contemplação do som forte e pulsante, como corações acelerados que
marcavam o ritmo heavy das apresentações, parecia que o som o tirava da
letargia o fazendo entrar em um estado enérgico levando o transe comunicativo
da união com o caos de seus conflitos internos.
__ Olha lá a Juliana, pera um
pouco lukinha.
Lisa corria e gritava aos braços da sua amiga Juliana,
encontro enaltecido pelo som que conduzia velozmente a relação amistosa de
Juliana e Lisa meninas eram poucas na noite heavy e o espaço de celebração
engrandecia à medida que o ritmo acelerava os pensamentos desconexos.
Lukinha também corria só que em
direção ao palco para extravagar toda insatisfação e irradiante sensação de
liberdade na noite que oferecia o contato com a frenética e louca liberdade
palpável na dança na musica e na presença dos loucos cabeludos negros que
marchavam a medieval idade contemporânea na Siderópolis soterópolis.
Certamente eram deuses vaidosos.
__ Juliana, estava pensando em
montar uma banda só de meninas o que acha?
__ Não delira como vamos achar
quem seja realmente underground para tocar conosco?
Juliana era estudante de Belas
Artes, envolvida com manifestos e pinturas subversivas na cidade adormecida de
jovens alienados pelo consumo midiático, ela e Lisa faziam circular um fanzine
com desenhos e pinturas autorais, maneira mesma de ultrapassar a fronteira do já
visto lido e dito.
__ Juliana suas expressões
artísticas são um deleite ao desfrute da contemplação alheia, mistura de
delicadeza e a insatisfação visceral de existir limitado por anseios medíocres
da cidade e de nos mesmos. Comentou Lukinha gesticulando de forma teatral e
sedutoramente infantil.
__ Expressões de nossas horas de
tedio e angustia sem o encontro com a Lua Cheia, brincou Juliana.
__ Expressões de nossos desejos
improváveis impensados e impulsionados pela leveza da Vida, explanou Lisa com
sua foz rouca e inebriada de sensações sãs.
“Delírio noturno moçada é agora
que vamos voar”. Gritava o vocalista da banda em cena fumaça e sonzeira abafava
o espaço da solidão e do tedio, novo ritmo acelerado nos olhos vitrificados das
forças do existir.
Lukinha ficou saboreando a
primeira edição do fanzine...A trilha sonora o levava a novas descobertas e
potencialidades criadoras misturando-se com hálito renovado da vida sofrida na
favela do baixo.
__ É isso que quero. Disse
entusiasmado a si mesmo.
“Vida Sacana”... “O povo na
lama”... ”desiludido”... Ecoava embaixo
da lona teatral da fuga na linha incerta do torpor inspirado na revolução
interna de cada um maquina desejante em transformar o mundo com um grito
incontido da nova maneira de existir, colorindo de cinza a tristeza sem cor dos
olhos opacos opressores do mundo, que normalmente soa como maneira intima de
linha imediata da incerteza e surpresa da vida.
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