segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Parque de Pituaçu I

Quem cuida mesmo do Parque de Pituaçu? 

Quem costuma andar por essas paisagens já deve ter percebido o quanto por aqui está tudo mudado.

Lagoa com água poluída represa seca barranco desmoronando, represa de Pituaçu agonizando,moradores locais sofrem com perseguição e  violência...

O mais comum é feito; O poder público/privada acusa as comunidades em torno do parque de o degradarem,no entanto as  obras feitas pelos que deveriam zelar pelo parque acabam com sua naturalidade, impermeabilidade do solo,parquinhos na chegada,maquinas barulhentas,tudo visando deslumbre do visitante que não se aventura mais à fundo na mata fechada.

O impacto é latente quando olhamos para a lagoa sem poder tomar banho... Quem nos garante um banho? E sobre a qualidade da água? E a Represa de Pituaçu? Lamentos...

Lembro que quando criança nos moradores da Comunidade do Alto do São João(comunidade essa ameaçada e ignorada pelo poder público),sempre que íamos banhar nas águas da lagoa de Pituaçu,e se por ventura esta estivesse com uma espuma de sujeira (escuma de sapo,era assim que chamávamos)não tomávamos banho.Rezava a lenda que alguém iria ser tragado pela lagoa seus mistérios e encantos.Penso ser esta uma maneira de reverencia e respeito com a natureza que nos envolvia em comunhão constante.

Hoje a comunidade vive amedrontada,repressão do braço armado do governo,dirigentes das instituições que se dizem competentes acusam-nos de invasores,incitando assim uma atitude de ojeriza com as comunidades do Alto do São João e Bate-Facho.

Essas comunidades já existiam muito antes do decreto de lei que criou institucionalmente o Parque Metropolitano de Pituaçu,que data de 1973,e sempre viveu em comum pertencimento com a natureza ao redor, dependíamos da água da Lagoa para a sobrevivência,afinal de contas bebíamos dessa fonte divina e generosa.Agora vem um papo de remanejar os moradores,como numa limpeza tendenciosa,como numa limpeza étnica,pobre/preto sobram! O assustador é que o poder público incita a opinião pública para execrar tais comunidades,numa atitude de autoritarismo.

É importante frisar que uma comunidade(e qualquer comunidade)onde o poder público não fornece os benefícios da suposta democracia,cedo ou tarde irá desprezar o próprio valor humano, e com nossa comunidade tem sido assim. Nunca existiu nenhuma atenção com a Ecologia Humana aqui presente,sem coleta de lixo,muitos acabam fazendo de sua própria morada um lixão,será que querem viver assim? Na verdade isso somente ocorre devido à falta de pulso e organização de nossa política que visa mais  o partido que o bem comum-social, na verdade é uma política partidária e não política de verdade.


Um Parque com tamanha exuberância e esplendor,abrigando uma área imensa de mata atlântica,obras artísticas,fauna e flora plural,deveria impulsionar uma estética de forma de vida bela  refletindo a dignidade das pessoas que moram no entorno  do parque,fazendo uma integração da ecologia ambiental com a ecologia humana.Proponho uma reflexão com dirigentes e o poder público,em conjunto com moradores locais,visando uma melhor integração,para viabilizar um fazer humano/social/ecológico á altura desse lugar encantado!  De imediato se faz prioritário amparar as pessoas dessas comunidades,oferecendo esclarecimentos e sociabilidade  digna de um ser humano priorizando o uso ecológico  e sustentável dos recursos naturais. Uma comunidade participativa é aliada no processo de zelo e cuidado com o Parque e sua Sagrada morada.


Assim, poderíamos integrar moradores da comunidade como cidadãos atuantes,promovendo qualificação local,para atuarem em horta comunitária(que amenizaria a fome e rentabilidade local),fazer expedições pela mata como guias ecológicos já que conhecem como poucos cada cantinho dessa natureza(viabilizando assim uma segura e confiante jornada pelo parque),fazendo do passeio ecológico uma aventura prazerosa e segura.Teria muito mais eficácia que uma traumática  desrespeitosa remoção dos moradores que amam e não sabem viver em outro local. 


Apenas alguns esboços do que se pode atuar numa imensa reserva ecológica dentro do perímetro urbano de Salvador.O ponto de equilíbrio se estabelece quando o humano e o ambiental se perfazem em harmonia,enaltecendo a participação nas decisões  e atuações no sentido de um comum pertencer entre Parque de Pituaçu e comunidades locais e próximas ao Parque.




iuri aguiar dunham.






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